cartas aos meus filhos

photo (3)Quando engravidei em 1992 comecei um caderno pra contar àquela criança como eu estava me sentindo. Fiz o mesmo na segunda gravidez, em 1996.

A intenção era registrar alí meus anseios e alegrias.

Eu comecei assim, meio de chofre, apenas abri um caderninho brochura, de 48 páginas, e fui escrevendo…coisas que vinham na minha cabeça, de como tinha sido bacana receber a noticia da gravidez, o que eu esperava, como seriam aqueles meses em que eu me sentia tão bem, bonita e completa.

Queria que cada texto fosse como uma carta e neles eu fui falando de nós, dos avós, da compra da nossa primeira casa, de presentes.

Se fosse hoje provavelmente faria um blog, ou providenciaria um album em scrapbook, bem chique, mas na época os caderninhos simples e encapados em papel de presente me pareceram suficientes e ficavam na minha mesinha de cabeceira junto com um jogo de canetas coloridas.

Quando eu tinha um “recadinho”para o bebe, escrevia, naquela letrinha caprichada e inclinada que eu tinha, e que hoje depois de tantos anos de digitaçao parece ter sumido pelo espaço entre as teclas.

Eu não coloquei datas em alguns textos, que falha, mas relendo-os posso me lembrar da época que foram escritos.

Entre noticias das consultas, compras de enxoval, planos para o futuro eu ía deixando anotado meus sentimentos em textos assim:

Acho que quando voce nascer vou sentir como se um amigo que estivesse bem longe e que fosse muito querido tivesse regressado”

“eu posso separar minha vida em duas fases: antes e depois dos filhos. Antes de voces a vida apenas passava…

“no meu aniversário de 35 anos seu pai me deu flores, lamentando que não fossem jóias. respondi que as jóias mais raras ela já havia me dado: meus filhos. e pensei nos cabelos do Rodolfo, de fios finos que brilhavam como ouro e nos olhos escuros e vivos  como pedras preciosas, e em voce que se formava dentro de mim como uma pérola se faz aos poucos na concha. sao estas as jóias que irao me enfeitar sempre e eu nao vou precisar do brilho falso de uma pedra “…

Em algumas fases eu conversava mais com a barriga e escrevia menos.

Consegui manter os diários até dois anos de cada criança, registrando ali não só as gracinhas e progressos de cada um, mas tambem a dolorida volta ao trabalho, a falta que eu sentia do cheiro doce e suave da pele deles, do som de suas vozes no meu ouvido.

Estes cadernos ficaram guardados numa caixa que tem aquela estampa que eu gosto.

photo (3)

esta caixa linda que eu tenho até hoje eu ganhei da minha amiga Vera, de Ribeirão Preto, que veio me visitar e trouxe presentes para todos e nesta caixa, presentes “para o bebe”.

_que bebe? eu perguntei.

_este que voce está esperando…

e eu estava mesmo e nem sabia…dá pra explicar isso???

A intenção era um dia entregar os cadernos a cada menino, mas eles foram ficando na caixa, junto com as carteirinhas de vacinaçao, o cartão da maternidade a as pulseirinhas do bercário.

Numa destas manhãs meu filho entra na sala com o caderno nas mãos e me pergunta:_Mãe, voce escreveu cadernos pra gente?

_escrevi filho, eu não te contei?

_acho que sim, mas eu nunca havia lido…mãe???

_oi filho

_voce queria mesmo a gente né???

e me abraçou forte.

É isso…as coisas que eu queria dizer antes de conhece-los estão ali.

Hoje converso muito, digo o quanto os amo, brigamos muito tambem, mas são meus amigos, companheiros.

Mas naquela época foram os caderninhos que me ajudaram a expressar os sentimentos.(abaixo os caderninhos, o da esquerda do Dois; o da direita do Um)

caderno

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Sobre coisadelilly

mulher, mãe e esposa, workaholic; uma inconformada com a situação mundial; uma pessoa que ama cães, caminhar, ir a liquidações, comer jujubas; viciada em seriados americanos; prendada mas sem tempo de colocar em pratica suas habilidades; desprovida de inveja e más intenções; uma pessoa que adora joaninhas, pink, flores, romantismo, craft, musica; um pé no presente, um no passado, a cabeça no futuro; uma pessoa nada facil; que tenta se livrar do saco de ossos de vidas passadas, que vive o agora; que esqueceu o que não devia e lembra o que não quer; uma pessoa na versão enciclopédica 2.0 que não pode ser resumida.
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12 respostas para cartas aos meus filhos

  1. Marcia disse:

    E eles sao mesmo assim…joias raras de valor inestimavel, que so de passar os olhos e saber são parte de nós, deixam-nos sem palavras para expressar tamanho amor!

    Bjs e um Natal lindo, com muito carinho, pra toda familia!

  2. Nossa Lili… que coisa linda! ❤

  3. Lindo!!Filho é tudo de bom!É a melhor parte de nós mesmos!
    Feliz Natal com sua família linda!!

  4. Jane Galdino disse:

    Lindo, me fez chorar amiga.
    Quanto amor e delicadeza.
    Beijos e Boas Festas.
    Jane

  5. Lúcia Soares disse:

    Lilian, também fiz um diário, para os meus 3 filhos, mas depois que nasceram. Usei agenda, meu marido gahava muitas, aquelas sem marcações nas página, nem datas tinham, pareciam cadernos mesmo. O da mais velha foi até muito além do meio. O da segunda foi até o meio e o do terceiro teve 1/3 das páginas usadas…rsrs Cada um que nascia era mais trabalho, menos tempo para escrever. rsrs Há pouco tempo meu filho leu o dele e disse: “Mãe, você fala o tempo todo de como eu era chato! Eu era tão cahto assim?!” rsrs Junto com o “chato” vinham palavras de amor, do tanto que o queria bem, etc.,mas ele só se pegiu no “chato”. Por que foi um bebê que só dormiu bem depois dos 5 meses, o tempo que passava acordado tinha que ser no colo, ou balançado no carrinho. Isso com uma menininha de 3 anos e outra de 1 ano e 4 meses para me tomarem o tempo, ainda. rsrs Mas era amor demais! Hoje leem, todos já têm seus filhos, e sabem exatamente do que eu fali em cada linha.
    Acho que é uma experiência única. Mas nenhum deles fêz diário para seus filhos.
    Beijo!

  6. linda historia e otima ideia, imagino a alegria deles de saber e ler o qtio eram amados e esperados, felicidades e feliz natal!!!

  7. Maria disse:

    Belíssimo.
    Os filhos são a vida, são as pérolas que carregamos dentro e fora de nós..
    Um ótimo Ano de 2013 para si, querida Lilly.
    Beijinho

  8. Ah, tão lindo! Acho que se tivesse sido mãe, teria feito algo assim também. Gosto dessas coisas. Beijos!

  9. eliana aparecida dreossi ferreira disse:

    Lilian, sou ELIANA,acho que vai se lembrar de quando estudamos no Otoniel Mota!!!!SAUDADES…sentávamos o fundo da sala,, enquanto você desenhava ,conversávamos as aulas todas,tempo bom…BEIJOS!!!!!

  10. Pingback: Blog Retro 2012 | Isso é coisa de Lilly

  11. Aninha disse:

    Li,
    Escaneia as páginas para não perder…
    Acho lindo e o legal é que seus filhotes captaram o sentimento de todas as palavras escritas nesses lindos caderninhos.
    Bjs.

  12. Aline Gomes Rocha disse:

    Oi Lilly, nem sei se vai ler meu comentário, bem como se o responderá.
    Mas, encontrei seu outro blog por acaso e pelo mesmo acaso cai aqui.
    Que forma linda e pura você encontrou de registrar o amor de mãe, o qual eu ainda não vivi… Mas o dia que for e se puder gerar um filho me inspirarei em você, seja de forma digital ou na velha letra a próprio punho!

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