eu não sabia que ía precisar disso…

tudo o que eu não sei fazer hoje ( e gostaria de saber) eu tive chance de aprender um dia sabiam?

pois eu estudei da 5ª até a 8ª série na Escola Industrial José Martimiano da Silva em Ribeirão Preto. hoje ela é uma ETEC.

é um prédio lindo, mas quando eu estudei lá achava “uma velharia”, um museu, um mausoleu…

a escola fica na esquina da rua capitão salomão com a tamandaré.

mais abaixo do colégio na tamandaré, no mesmo quarteirão, ficava o hospital santa lydia e o bosque municipal fábio barreto.

a subida pela capitão salomão parecia sem fim e depois de uns 200 metros tinha o portão lateral da escola e os muros do bosque. depois o jardim japones, o teatro de arena, a entrada para as 7 capelas…

 na minha “pequenês”, no medo de me perder pelo caminho,  eu nunca pensei em contornar aquele imenso bloco de arvores e pedras que parecia não ter fim. hoje sem duvida seria um lugar onde eu faria uma caminhada.

mas ja saí de ribeirão a muito tempo. dia 1º de agosto deste ano fará 30 anos que estou aqui em araçatuba.

aqui nada é grande como em ribeirão, ou eu cresci e as coisas ficaram mais proporcionais?

sei lá, mas tenho me lembrado muito daquela época de ginásio (que hoje se chama ensino fundamental II).

volto direto ao tempo de adolescencia e vejo que esta pessoa aberta e com vontade de aprender que sou hoje não existia nem em projeto.

um exemplo disso eram as aulas de trabalhos manuais.

a escola oferecia cursos de mecanica, fundição ( para meninos) corte e costura, culinária e artesanato(para meninas, mas tinha umas nojentinhas que faziam mecanica e fundição só pra ficar mais perto dos rapazes, que óooodio).

8 aulas por semana: um dia com 5 aulas e no outro 3 aulas.

quem optava por corte e costura ficava as 8 aulas lá em cima, no 1º andar, num salão de piso de tábuas de madeira com mesas imensas, onde até respirar causava barulho. alí se costurava camisinhas de cambraia pele de ovo À MÃO! e sob a supervisão dos olhos de lince da dona sebastiana, que tambem dava aulas de desenho industrial. uma fera a mulher.

como eu sempre tive o bicho carpinteiro no corpo não me via alí naquela situação, então escolhi artesanato e culinária, ONDE EU TAMBEM NÃO FAZIA NADA.

as aulas eram divididas assim: numa semana 5 aulas de culinária onde aprendiamos uma refeição completa ( salada, arroz, uma carne e uma sobremesa e suco) e 3 aulas de artesanato.

na semana seguinte 5 aulas de artesanato e 3 aulas de culinária ( aí aprendiamos um lanche que era um bolo doce ou salgado e um suco).

primeiro: eu detestava comida,  eu não gostava de nada, só arroz, ovo e tomate. não comia carne e não queria experimentar nada novo.

segundo que se eu não gostava de comer, tambem não gostava de cozinhar.

e eu detestava pintar, colar, bordar, aplicar…

fuxicar? só se fosse sobre os meninos que olhavam a gente através dos janelões envidraçados; tambem não gostava trabalhos em madeira, lã, linha, etc.

então eu fingia que fazia os trabalhos enquanto me ocupava do que realmente gostava de fazer: desenhar (sou boa nisso) e ler. fiz uns marcadores de livros em couro que pirografei com meus desenhos, pois juntei nisso minhas duas paixões e só…

eu simplesmente rejeitava aqueles ensinamentos. achava que não iria precisar deles.

porque eu comecei a me lembrar com tanta constancia daquela época?

é que hoje mãe de dois adolescentes, luto com eles para que aprendam no tempo certo o que é necessário, o que irá fazer falta no futuro.

 digo: aprendam enquanto voces tem tempo de sobra, pois logo estarão fazendo facu e trabalhando e vão sentir necessidade de fazer um curso e aí, cade o tempo? 

e tambem porque me vejo tentando aprender hoje coisas que me foram oferecidas a muito tempo e que deixei passar.

 como tricô, crochê, bordados, artesanato, costura, culinária.

hoje faço “na marra” pequenos consertinhos, bordo blusinhas, faço bijoux, pinto paredes, caixinhas e os cabelos, sofro com a falta de habilidade…

tambem na marra aprendi a cozinhar recentemente (com ajuda de voces) e penso:

tudo o que eu não sei fazer hoje  eu tive chance de aprender um dia.

e desperdicei. hoje corro atras pra aprender a fazer estas coisas que eu achava tão “inúteis”.

(voltando ao motivo do post, ainda não sei se são meus filhos, ou se sou eu)

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Sobre coisadelilly

mulher, mãe e esposa, workaholic; uma inconformada com a situação mundial; uma pessoa que ama cães, caminhar, ir a liquidações, comer jujubas; viciada em seriados americanos; prendada mas sem tempo de colocar em pratica suas habilidades; desprovida de inveja e más intenções; uma pessoa que adora joaninhas, pink, flores, romantismo, craft, musica; um pé no presente, um no passado, a cabeça no futuro; uma pessoa nada facil; que tenta se livrar do saco de ossos de vidas passadas, que vive o agora; que esqueceu o que não devia e lembra o que não quer; uma pessoa na versão enciclopédica 2.0 que não pode ser resumida.
Esse post foi publicado em A vida tem destas coisas, coisas que passam na minha cabeça. Bookmark o link permanente.

7 respostas para eu não sabia que ía precisar disso…

  1. Camila disse:

    Hehehehe! Que delícia de post. Ainda bem que a gente muda, né? E sempre é tempo de aprender, embora com mais atividades fique um pouco mais difícil.
    Beijo!

  2. CECILIA MEDEIROS disse:

    Lilly, quando vc falou de sua antiga escola lembrei da minha. Saímos,aqui de Natal/RN p o RJ,pq papai havia sido transferido pela Marinha.Moramos 11 anos no RJ saí daqui com 07anos e voltei com 18.O primeiro lugar que eu queria visitar era minha primeira escola e ao entrar quase chorei de saudades,cheguei a sentir o cheiro da hora do lanche,corri fui ver o homem da lanchonete e ver minha sala. A escola pareceu tão pequena e entendi que eu é que havia crescido!
    Já passei dessa fase de dizer aos meus filhos e aos outros que existe uma hora p aprender determinadas coisas, simplesmente entendo que qq hora é hora de aprender basta vc necessitar ou querer. Claro,que qd não se trabalha e só estuda tudo é mais fácil porém falta os ingredientes principais: interrese e necessidade.
    Boa semana,Cecília
    P.s: sua caixa só vai p o correio no fim do mês,segura a curiosidade!

  3. Emília disse:

    Lilly, acho que você está sendo muito rigorosa consigo mesma. Claro, é importante aprender cada vez mais. Mas você é tão criativa e transforma móveis velhinhos em peças decorativas lindas!!! E tantas outras coisas que você faz e ainda por cima da conta de sua atividade profissional diária. Você falou em fuxicar… e os 30 fuxicos? Algo a declarar???

  4. Maria disse:

    Nunca é tarde para aprender.
    Mas enquanto se é jovem, não se deve deixar fugir as oportunidades. Por isso, os filhotes devem aproveitar este tempo.
    E, ao que parece, a Lilly não desperdiçou o seu tempo. Hoje sabe fazer muita coisa.
    Pelo que vejo aqui…
    Beijinho

  5. Denise disse:

    É a mais pura verdade! Também já aconteceu comigo, nossa diferença é que eu gostava das aulas de “prendas domésticas”. E até hoje adoro um tricô e bordado. Até comprei uma máquina de costura…. rsrsrsrs beijão!

  6. renata disse:

    Engraçado, eu sempre quis aprender mas na adolescência não tive oportunidade, hoje faço tudo que posso, aprendo tudo que posso, fico brava com quem tem tempo e oportunidade e não corre atrás de nada.Terminei a faculdade aos 30, não paro nunca, trabalho fora 8 horas por dia, sou dona de casa, pinto telas, faço artesanato, reciclo coisas, faço bolos lindos, faço todos os cursinhos de tudo que aparece pela frente, e adoro tudo isso.É como se eu precisasse recuperar um tempo perdido.

  7. Lúcia Soares disse:

    Um post antigo que será sempre atual…
    “Se eu soubesse, naquele tempo o que eu sei agora….”
    Pois é, a vida é assim mesmo, SE vc tivesse feito aquilo e não isso… Pois é…
    Beijo e que seus meninos a ouçam bastante.

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