Artigo de Paulinho da Viola, que não é dele…

Hoje é uma sexta cinza, chuvosa e cansada, inserida naquele tipo de semana que já deu o que tinha que dar.

Chego cedíssimo ao trabalho, vejo quais são as pendências de hoje, baixo os e-mails. Deleto as baboseiras de sempre, piadinhas, etc.

Recebo um artigo da minha cunhada com o título “maravilhoso artigo de Paulinho da Viola”.  Li e adorei.

Paulinho da Viola, compositor e cantor, uma pessoa lindíssima da qual sou fã,  eu que nem gosto de samba.

Para mim suas obras vão além do samba. Paulinho é poeta, é distinto, uma pessoa honesta e centrada da qual o Brasil se orgulha.

Infelizmente o artigo não é dele.

É de Maria Helena Rubinato Rodrigues de Souza e foi publicado no blog do Ricardo Noblat em novembro de 2008.

Voces sabem que a maioria das artigos que circulam na net estão com creditos errados, ou sem creditos, o que é pior. Mesmo sabendo disso eu enviei hoje por e-mail a alguns contatos este artigo como se fosse do Paulinho. Então me retrato aqui.

Anyway, é um artigo excelente . Nos faz pensar e  deixo aqui para apreciação.

“DESCASCANDO A BALA…

Parece um detalhe minúsculo diante da grandiosidade do fato histórico que acabamos de presenciar, mas eu começo meu texto falando em quem? Nele, no Presidente Lula. Para ressaltar o que acho ser o vale profundo que separa nossos países.

Lula descasca uma bala, Obama a desembrulha. Lula joga o papel no chão e acha isso perfeitamente natural; insiste que no mundo todo isso nem seria notado. Obama, caso aceitasse comer uma bala durante solenidade oficial, poria o papel no bolso até poder jogá-lo numa lixeira. É um detalhe? É, mas daqueles fundamentais, como o sorriso da Mona Lisa: em toda a tela de da Vinci, quanta beleza, quanto talento, quantos simbolismos. Mas o que mais chama atenção? O pequeno detalhe do sorriso.

Obama foi eleito presidente dos EUA e não do mundo. Seu interesse primeiro é seu país e o povo americano. Problemas internos, muito sérios, não lhe vão faltar. Mas, pela primeira vez na história daquele país, foi eleito um homem mestiço, filho de um queniano e de uma jovem do Kansas, que passou parte da infância entre o Havaí e a Indonésia, teve oportunidade de conviver com crianças e jovens de outras nacionalidades, de conhecer outras religiões e filosofias, e que por mérito e esforço próprios cursou boas universidades na Costa Leste. Isso o diferencia de todos os outros presidentes americanos.

Sobretudo o diferencia de George W. Bush, rapaz muito rico, mas que até ser presidente da República nunca tinha ido além do México. E assim mesmo porque era muito perto de sua casa, talvez até considerasse aquele país a continuação de seu quintal.

A eleição foi uma festa, uma linda festa que congregou, e aí está sua maior beleza, a grande maioria dos americanos e não somente os brancos, anglo-saxões e protestantes. Os EUA celebraram aquilo que já deveria ter sido celebrado desde o fim da Guerra Civil, desde que imigrantes começaram a desembarcar de navios abarrotados de gente no porto de Nova York. Finalmente ouviram a voz da Estátua da Liberdade e responderam aos agourentos que achavam aquela grande nação à beira do desaparecimento. Como disse o presidente-eleito na noite de sua vitória: “Foi a resposta dada pelos jovens e velhos, ricos e pobres, democratas e republicanos, negros, brancos, latinos, asiáticos, índios, homos, heteros, inválidos e não inválidos – somos e sempre seremos, os Estados Unidos da América”.

Barack Obama viu mais longe que os outros; não podemos desmerecer a luta e o sacrifício pessoal de Lincoln, de Martin Luther King, de Rosa Parks, dos meninos de Little Rock. Mas Obama viu que o que uniria o país era a força de seu “melting pot” em potencial, e não o ódio, não a vingança, não o punho cerrado, mas o abraço.

Pode ser que ele não consiga realizar o sonho das multidões que vibravam e choravam na noite de 4 para 5 de novembro. Seja como for, ele abriu a porta, derrubou barreiras, rasgou a picada, deu os primeiros passos. Torcida não lhe vai faltar.

Enquanto isso, no Brasil, o Chefe da Nação não diz duas palavras sem atiçar o fogo, sem jogar brancos contra negros, pobres contra ricos, instruídos contra iletrados, nordestinos contra sulistas, partidos contra partidos, povo contra a Imprensa, todos contra todos. Não fala, grita, berra. Esfalfado, ouve os uivos da platéia, acha que está sendo adorado, e parte para outro palanque.

Criou um Ministério da Integração Racial que é tudo que nós menos precisamos. Seu titular teve a idéia de criar a Delegacia do Negro!
Se um negro é assaltado, ele vai procurar a delegacia dele, não uma delegacia qualquer.. Breve, delegacias para japoneses, coreanos, chineses… e o nome disso é Integração Racial.

“Espero que Obama (…) não vá gastar um ano sem resolver imediatamente a crise. Agora a crise pode ser debitada ao atual governo, mas um ano depois de ele tomar posse é dele também”, disse Lula. Quer dizer, o Obama não pode apelar para a herança maldita do Bush! E ainda: “Acho que ele é suficientemente inteligente para tomar as medidas para evitar que a crise continue”.

Pode deixar, Lula, Obama é brilhante. Peça ao Amorim para ler consigo o site que ele inaugurou logo no dia 5, Change.gov. Vá direto à política externa. É de chorar de emoção. Depois, leia todo o site e aprenda como se faz política respeitando o povo, o eleitor, o cidadão. O dado concreto, Lula, é que Change. gov é extraordinário!

As coisas estão no mundo, só que eu preciso aprender!”

Para finalizar, em entrevista dada à Isto É desta semana, Cassia Kiss falando sobre  maternidade, bulimia, transtorno bipolar, carreira, politica, diz isso, e eu tenho que concordar com ela:

“ISTOÉ – E o Brasil hoje?

Cássia – Lula que me desculpe, mas nós não temos uma primeira-dama. E me incomoda o português errado que ele fala. Lula tem uma carreira política de mais de 30 anos, podia ter cursado umas três boas faculdades. Posso estar dizendo bobagem, mas é nisso que eu acredito. Acho que Marisa também podia prestar um vestibular, fazer um curso. São atividades que dão bom exemplo, são modelos de construção. É nesse sentido que Lula e esposa tinham de ser bom exemplo para nós.”

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Sobre coisadelilly

mulher, mãe e esposa, workaholic; uma inconformada com a situação mundial; uma pessoa que ama cães, caminhar, ir a liquidações, comer jujubas; viciada em seriados americanos; prendada mas sem tempo de colocar em pratica suas habilidades; desprovida de inveja e más intenções; uma pessoa que adora joaninhas, pink, flores, romantismo, craft, musica; um pé no presente, um no passado, a cabeça no futuro; uma pessoa nada facil; que tenta se livrar do saco de ossos de vidas passadas, que vive o agora; que esqueceu o que não devia e lembra o que não quer; uma pessoa na versão enciclopédica 2.0 que não pode ser resumida.
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